terça-feira, 20 de novembro de 2007

Existe uma consciência negra?


Durante a evolução social do homem, por vezes, são "eleitas" crenças vergonhosas que permanecem inalteradas mesmo com o passar dos tempos. Crenças estas revertidas em valores discriminatórios que ficam impregnados nas mentes e fixados nas atitudes de muitos. Ainda hoje há quem veemente acredite na superioridade racial. E que por algum motivo os povos de cor branca são superiores aos negros... Isso também acontece no Brasil. E acontece todo o dia! Não aprendemos ainda a sermos humanos, nem tão pouco com a História. A qual relata a fundamental contribuição dos povos negros, vindos da África para a construção do país. Quando aqui chegaram, ergueram a nação com a força do trabalho a custo da liberdade e da própria vida. Mesmo assim, perpetua até hoje uma discriminação velada, oculta e danosa. Além de uma visível desigualdade de oportunidades. Neste cenário configura-se uma enorme inversão de valores e de reconhecimentos. Uma explícita falta de consciência, seja branca, negra, mas, sobretudo brasileira.

2 comentários:

Ively disse...

Gosto de pensar que a questão é sempre econômica e política. A discriminação racial é antes de tudo um problema de classe, não só de raça. Capitalismo e discriminação racial se relacionam. E como nós sabemos que o mito da democracia racial realmente existe, este serve para anestesiar o próprio negro, que acaba não se identificando como tal e por isto não parte para um conflito maior em busca dos seus direitos. Segundo o próprio presidente Lula, os negros devem “cutucar” o governo: "Com o somatório de cutucação é que vocês vão tirar mais conquistas" Será que os negros nunca fizeram isto?! :-)
O negócio é seguir literalmente as palavras do presidente. Só vai no ‘racha’.
Bjo e até a próxima!

solange disse...

Concordo com Ively quando ela se reporta a um problema de classe, pois a questão é mesmo socioeconômica. Mas Ively, hoje podemos dizer isso, mas nem sempre foi assim...depois da escravidão o preconceito racial continuou muito forte e o negro não encontrava espaço para ascender socialmente, desde então passou a fazer parte da classe desprestigiada. O governo tem boa intenção sim, mas por causa de boas intenções temos aí instalado um sistema totalmente discriminatório, que é o sistema de cotas para negros nas universidades, ora, é uma tentativa de reparar uma injustiça historicamente estabelecida,mas ao mesmo tempo fortalecendo a idéia absurda (mas que ainda prevalece em algumas mentes doentes) de que o negro é intelectualmente inferior ao branco.A questão não deve ser a cor da pela, mas a contição econômica das pessoas. E mais, não adiante querer estabelecer um paleativo e colocar pessoas despreparadas nas universidades, deve-se implantar uma educação igualitária para todos, a partir de uma reestrutura no processo educacional das escolas do Estado. Bem para finalizar meu breve comentário quero dizer que o negro só precisa de ser tratado como um branco qualquer, como gente, ter espaço na Academia como profissional competente (ainda hoje causa estranheza um negro em ascenção na Academia), pois ele precisa deixar de ser objeto de estudo como informante qualidicado para ser reconhecido como produtor de conhecimento também. Para finalizar levanto uma questão: Há negros em Africa?
Solange Carvalho/Fundaj