sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Perder para ganhar


“...viver bem se deve mais à arte de saber perder do que saber ganhar. Esperar muito dos outros é um barco furado.” p. 209. Só essa frase já valeu ler o livro, O vendedor de sonhos: o chamado de Augusto Cury. Lembrei de quantas vezes presenciei - outras participei - de discussões intermináveis no qual os participantes “lutavam” para estarem com a razão. E a disputa continuava por horas até uma das partes desistir, sair ou declarar que não tinha razão. Ao vencedor o prêmio: além da razão, a perda de tempo, a forte carga de emoção recebida, e muitas vezes, uma amizade desfeita. A fórmula do bem viver não está pronta e disponível, cada indivíduo vai construindo a sua a partir das experiências vividas ao longo da existência. Certamente um ingrediente indispensável na receita da boa convivência é saber perder. Difícil é perceber que até quando amamos também perdemos, e começa-se pela individualidade, pois de pronto o indivíduo deixa de ser apenas um para ser dois – o casal - e passa a viver, muitas vezes, mais de acordo com as vontades do parceiro do que com as próprias. É a exata hora do Eu dar espaço para o Nós. E as perdas não param por aí, perde-se também a privacidade do quarto, da leitura na cama até altas horas, de dormir até mais tarde, sem falar no programa com os amigos... Difícil é estar preparado para perder, afinal somos educados para sermos competitivos e vencedores a todo custo, inclusive nas relações afetivas. Perder para pacificar não é ensinado nas escolas e poucos são os lares preocupados com esse enfoque na educação dos filhos. Espera-se sempre que o outro desista da discussão, peça perdão, perca. Esperar demais dos outros não é a melhor solução para os conflitos. Precisamos urgentemente aprender a perder nem que seja para ganhar.
Pedro Manoel

3 comentários:

D.Everson disse...

Polemico sempre!

Realmente só poucos conseguem controlar - Quiça - eliminar esse Super-Ego Michael Schumacher, que não pode perder para ninguém.

Seria bom que todos pensassemos assim como o Grande Lama Tibetano:

"De um ponto de vista social, quando uma pessoa o prejudica e o desacredita é recomendavel reagir. Do ponto de vista do praticante que espera transformar o espírito, é sempre preferivel deixar vencer o outro."

Cristiane Alberto disse...

Pedrinho,

Penso que há uma diferença entre perder e ceder.

Perder é um ato involuntário. Você está numa disputa e o seu oponente vence, ou seja, TIRA de você a posse, a propriedade, o domínio de alguma coisa. Enquanto que ceder é entregar-se. É saber que possui forças e armas para ganhar, mas VOLUNTARIAMENTE curva-se e depõe sobre o asfalto todo seu arsenal.

Em geral se perde por fraqueza, mas se cede por amor ou exaustão e nesse último caso, ganhar sempre está fora de questão. No amor, o que se busca mesmo é o empate.

Beijos.

Ively disse...

Pedrinho
Concordo com você! Disputas não levam a nada, “é melhor ser feliz, do que ter razão” muitos conflitos seriam evitados se não quiséssemos ter razão em tudo.
Apenas, tenho que discordar de você quando afirma: “quando amamos também perdemos...”
Não acredito que em um relacionamento amoroso uma parte necessariamente sempre tem de perder, ao contrário soma-se! Em um relacionamento sadio, o amor pode existir sem se perder a individualidade, que não quer dizer individualismo. Ser parceiro não significa viver em função das necessidades e desejos do outro em detrimento dos seus. A palavra seria compartilhar e não perder. Compartilhar sucessos e alegrias e sofrer junto as ‘perdas’ naturais da vida, com compreensão e respeito, sabendo enxergar o outro em seus ‘espaços’.
Claro q existe por ai relações neuróticas e vazias, em que tamanho ‘investimento’ é realmente uma perda de ‘vida’ :-) cada a cada um avaliar... pois, Parceiros de verdade nunca vão perder no amor!
Bjo
Ively