sábado, 4 de dezembro de 2010

Diferenças


Definitivamente somos diferentes! Isso é fato. Cada ser é único e possui características sutilmente distinguíveis. Sendo assim, só reforça a idéia de que “toda regra só é regra porque existem as exceções. O igual só é igual porque existe o diferente”.

Explorando o óbvio da questão há um elemento básico no convívio das diferenças: A aceitação. Ora, uma vez que se admiti as diferenças à aceitação irrestrita dos fatos não é garantida. Uma coisa é saber outra é aceitar. Começam os conflitos ao admitir que o outro é um todo e não apenas à parte específica que se gosta. Tentativas de modificar o outro apenas por questões de “auto-ajuste” pode ser uma empreitada sem muitas garantias de sucesso.

Tentar moldar o parceiro funciona, mais ou menos, como gostar do Sol (O astro rei) e só aceitar o que for particularmente mais conveniente, do tipo: Preciso dele (O Sol) apenas pela manhã até às 10h, pois não está muito quente e só depois das 16h quando já está esfriando. Não pode estar muito luminoso por que fere os olhos. Também não é bom o quando se põe às 18h, pois preciso que fique mais tempo comigo. Desperta cedo pode, mas sem me acordar com seus raios incandescentes. Ah! Não esquecer de falar para o céu te acompanhar sempre sem nuvens. E só para lembrar, nada de intimidades com a Lua, as estrelas, os cometas...

Depois de “aparada as diferenças” e de se certificar de que tudo no outro finalmente está “ajustado” restará a semelhança imposta. Conseqüentemente o outro vai estar tão semelhante como o reflexo do espelho do banheiro numa segunda-feira às 6h da manhã. Tudo está pronto! Não há mais estímulo para o diálogo, para o debate e a aprendizagem. Também não há perguntas por que de antemão já se sabe das respostas, surpresas não mais existem.

Aceitar as diferenças interpessoais não é apenas ter conhecimento de sua existência, vai além. É saber que o outro é tão importante quanto nós mesmos. Que o convívio nos oferece a oportunidade de ver o mundo com novas visões para os mesmos fatos e vislumbrar perspectivas antes imperceptíveis. Sendo assim viva as diferenças.
Pedro Manoel

2 comentários:

Taty Vieira disse...

O bom de ser diferente é que um completa o outro. Ninguém é igual mesmo. Temos características distintas que nos fazem únicos, porém membros importantes de um só corpo. Como canta Jorge Vercilo "Quem não julga o desigual, nada vai discriminar, se tudo é divino, tudo em Deus tem seu lugar". Amei teu post, Pedro.

beijos,

Estagiária kkk

Ana Cristina disse...

Parabéns pelo belo texto.

Somos milhões em todo o universo, mas somos Impar enquanto essência. Pedro, com certeza a palavra mais importante e por isso mesmo a mais difícil desse texto é Aceitação. Respeitar e Aceitar são dois verbos que transformam o homem em um Ser infinitamente melhor, quando ele entende que somos diferentes. E somos diferentes porque não gostamos das mesmas coisas, não agimos da mesma maneira, não temos os mesmos desejos e sonhos, porque temos defeitos, virtudes, qualidades, nossa sexualidade, enfim, ninguém tem o direito de querer mudar o outro para poder aceitá-lo. Cada um trás dentro de si sua personalidade e identidade próprias. Tentar transformar o outro naquilo que queremos é não respeitá-lo como ser humano. A intolerância, as guerras, as barbáries ainda existem porque o homem não aprendeu ainda a respeitar e aceitar o outro. O que torna a Criação de Deus maravilhosa é justamente permitir a existência do Ser diferente.


Ana Cris