quarta-feira, 3 de março de 2010

And the Oscar goes to... : a arte imita a vida ?


Dia sete de março teremos mais uma edição do Oscar 2010, a premiação norte americana para os melhores do cinema. Diante das incessantes chamadas televisivas sobre o evento me peguei divagando sobre os melhores filmes que assisti em 2009. E um deles especialmente me chamou atenção: O Leitor, o qual foi indicado ao prêmio em cinco categorias, levando o Oscar de melhor atriz. Não vou aqui falar do enredo - não cometerei essa gafe - quero registrar apenas que desse filme pode-se tirar grandes lições. O Leitor apresenta uma história com temas paralelos relacionados e igualmente ricos em experiências humanas. Um dos temas trata do julgamento de agentes alemães acusadas pela morte de dezenas de mulheres judias confinadas numa igreja católica na Europa em plena Segunda Guerra Mundial. A batalha no tribunal gira em torno da questão de quem é a culpa pelos crimes se, dos executores (agentes) ou do mandante (tenentes, capitães, generais etc)? O filme é envolvente e prende a atenção ao mesmo tempo em que faz o espectador refletir sobre as condições humanas de discernimento diante da execução de uma ordem. Aproveitando o tema, sem nos distanciarmos da realidade, nos valendo do paradigma realidade/fantasia e trazendo a discussão para o ambiente organizacional trabalhista o drama vivido pelas agentes alemães, em O Leitor, é similar - dada as devidas proporções - a atual realidade de inúmeros trabalhadores no Brasil. Nas empresas o funcionário é “direcionado” a executar as ordens dos chefes bem como, assumir as conseqüências trazidas pelas mesmas. Desta forma, cabe ao funcionário a total responsabilidade da execução e o ônus do prejuízo caso algo dê errado. Sem falar de ter que lidar com o assédio moral do chefe e do constrangimento recebido pelos subordinados, tudo isso em favor da manutenção do emprego e da “qualidade de vida no trabalho”. Vale ressaltar como agravante para quem se nega à execução de ordens as opções não são as mais convidativas, sabe-se que o descumprimento é considerado falta gravíssima passível de demissão justificada. Enfim... A arte imita a vida, mas raramente a vida imita a arte e infelizmente finais felizes não são os que mais ensinam. Bravo para o filme O Leitor para ele vai todos os prêmios!
Pedro Manoel

3 comentários:

arlete disse...

Oi Pedro
Não assisti ainda a este filme, mas certamente assistirei. Quanto ao problema do assédio moral a discussão é nova. O fenômeno é velho.
Tão velho quanto o trabalho, isto é, quanto o homem, infelizmente...
Os anos passam, a ciência evolui, o homem muda seus hábitos, a sociedade se transforma, mas ainda querer é poder. O grande lance de todo esse contexto e a sua virada, ou seja, é onde o assediado começa a reagir e procura outros meios para retomar sua carreira. Valeu Pedro

Neide disse...

Oi Pedro
Bravo!!!!!!!!!!
Verdade pura
Parabéns

Cristiane Alberto disse...

Pedrinho,

é preciso aprender a dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, do contrário estaremos todos fadados à loucura de Pilatos: morrer acreditando que água e sabão apagarão a sujeira de nossas mãos.

Não importa o tamanho de nossas encruzilhadas, a decisão de ir para a direita ou esquerda, com seus ônus e bônus, pertence INDIVIDUALMENTE à cada um de nós.

Escolhas... sempre há.

Beijos.
Cris.

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Mateus 22:21
Mateus 27:1-26